
Rafael Cervone *
A primeira quinzena de outubro, quando comemoramos o Dia da Criança (12) e o Dia do Professor (15), convida-nos a uma importante reflexão: para proporcionarmos um futuro melhor às novas gerações é prioritário melhorar a qualidade da Educação Básica gratuita, responsável pela escolaridade de 80% dos alunos brasileiros.
Lamentavelmente, estamos atrasados nessa agenda, como demonstram os resultados de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), recém-divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Dentre os 89 países participantes da avaliação, que abrange alunos na faixa de 15 anos, o Brasil ficou em 71º lugar em Matemática, 52º em Leitura e 67º em Ciências.
Os resultados mostram ser preciso tratar a situação do magistério com mais seriedade. Não há política educacional capaz de produzir bons resultados se não houver docentes bem-formados, respeitados e preparados para enfrentar os desafios de uma sociedade em transformação. No entanto, a carreira não tem sido estimulada. A pesquisa “Apagão dos Professores”, do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), mostra que o número de profissionais de até 24 anos no Ensino Médio caiu 31,1% entre 2015 e 2025.
Valorizar os professores significa aprimorar sua capacitação inicial, oferecer formação continuada de qualidade, criar condições adequadas de trabalho e conferir à carreira todo o prestígio que ela merece. Precisamos de uma política eficaz de ensino capaz de atravessar governos. E isso depende de outro e crucial evento do calendário de outubro: as eleições, que possibilitam aos brasileiros determinarem o curso de sua própria História.
Educação pública de qualidade é viável, como se observa no Sesi e no Senai, mantidos pela indústria. O futuro do ensino encontra-se na pergunta de uma criança, na descoberta de um adolescente, na primeira palavra lida e na equação finalmente compreendida.
Apesar da inesgotável fé dos brasileiros, esse avanço não depende de um novo milagre de Nossa Senhora Aparecida, cuja celebração também ocorre em outubro, no dia 12. Somente será viável por meio de uma decisão política, patriótica e responsável do poder público e daqueles que a população eleger para representá-la no Executivo e no Legislativo.
*Rafael Cervone é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) e primeiro vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) .
foto: Rafael Cervone_Presidente Ciesp_Crédito_RonconGracaCom
