
O setor da construção deve crescer 2,2% em 2025, abaixo dos 3% projetados anteriormente pelo FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) e pelo SindusCon-SP. A revisão foi anunciada durante a Reunião de Conjuntura da entidade, em agosto, e reflete a desaceleração de alguns indicadores de atividade, além das dificuldades de crédito enfrentadas pelas empresas.
Segundo a economista Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, o desempenho esperado para o próximo ano é de 2,5% nas construtoras formais e 1,5% nos segmentos informais, como autoconstrução e pequenos empreiteiros.
A economista destacou que, apesar de o comércio de materiais e o consumo de cimento terem crescido no primeiro semestre, já se observa uma perda de fôlego. O emprego no setor também aumentou no período, mas em ritmo menor que nos anos anteriores. Houve alta em obras de infraestrutura, mas redução em edificações e serviços. Em São Paulo, o ajuste sazonal apontou recuperação modesta no trimestre mais recente.
Outro ponto de pressão são os custos. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) acumulou 10,26% em 12 meses até julho, impulsionado pela mão de obra, enquanto na capital paulista a taxa foi de 8,5%. No mercado imobiliário, os lançamentos subiram 50% no primeiro semestre, puxados pelo segmento econômico, e as vendas também avançaram.
As empresas, contudo, seguem enfrentando grande dificuldade no acesso ao crédito. O financiamento pelo SBPE para a produção de unidades caiu 61%, obrigando parte do setor a recorrer a captações mais caras no mercado. Embora os recursos disponíveis ultrapassem R$ 1 trilhão, o problema está no custo elevado.
Durante o encontro, Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, alertou para o cenário econômico conturbado, marcado pelo chamado “tarifaço” dos Estados Unidos e pelos desafios fiscais internos. “Estamos com juros muito altos há bastante tempo, a inflação ainda elevada e o ritmo do emprego na construção em desaceleração”, afirmou.
Já Robson Gonçalves, professor da FGV, avaliou que a elevação do IOF apenas postergou um ajuste fiscal, mas destacou como positiva a queda do dólar e o impacto esperado na inflação global de commodities. Para ele, o desempenho da agropecuária e a sobra de alimentos devem ajudar na convergência da inflação à meta, permitindo que a taxa Selic caia para 12,5% em 2026.