
Apesar de uma leve redução no número de registros em relação ao ano anterior, a dengue — Aedes aegypti — continuou atingindo milhares de moradores de Paulínia em 2026. Segundo dados do Ministério da Saúde, o município contabilizou 3.893 casos prováveis da doença, o que representa 3,34% da população, estimada em 116.674 habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A maior parte dos casos se concentrou em adultos em idade economicamente ativa, especialmente entre mulheres de 30 a 49 anos e homens de 20 a 29 e 40 a 49 anos. Entre as mulheres, foram registrados 345 casos na faixa de 30 a 39 anos e 380 entre 40 e 49 anos. Já entre os homens, foram 309 casos de 20 a 29 anos e 285 entre 40 e 49 anos. O levantamento também aponta ocorrência em bebês de um ano — 17 meninos e 11 meninas —, o que indica transmissão dentro dos domicílios.
A população idosa também foi fortemente impactada. Na faixa de 60 a 69 anos, foram 236 casos em mulheres e 164 em homens. Entre 70 e 79 anos, houve 115 registros em mulheres e 100 em homens. Já na população com 80 anos ou mais, foram contabilizados 53 casos entre mulheres e 48 entre homens — grupo que apresenta maior risco de complicações e óbitos.
A evolução da doença ao longo do ano seguiu o padrão típico de surto sazonal. Entre a 8ª e a 22ª semana epidemiológica, os casos cresceram rapidamente, passando de 87 registros na semana 8 para um pico de 310 casos na semana 11, seguido por uma queda gradual até 84 casos na semana 22. O comportamento acompanha o período mais quente e chuvoso do ano, favorável à proliferação do mosquito Aedes aegypti.
Na comparação com 2024, quando Paulínia registrou 4.325 casos prováveis de dengue e uma morte, houve redução no total de ocorrências em 2025, com 3.892 casos e também um óbito confirmado. Apesar da queda, o número de mortes se manteve, o que reforça a gravidade da doença e a necessidade de manter as ações de prevenção.
Especialistas alertam que, embora o pico tenha sido superado, a vigilância deve ser permanente ao longo das 52 semanas do ano. Medidas simples continuam sendo fundamentais para conter a doença, como eliminar recipientes que acumulam água parada, manter caixas d’água vedadas, limpar calhas e ralos, além de procurar atendimento médico aos primeiros sintomas — febre alta, dores no corpo e atrás dos olhos, náusea e manchas vermelhas na pele.
Enquanto muitas pessoas dariam a vida por um trabalho, milhares acabam perdendo dias de produtividade por causa de uma doença que pode ser evitada com ações simples dentro de casa. A dengue segue sendo um desafio coletivo que depende tanto do poder público quanto da colaboração da população para ser enfrentado de forma eficaz.
