Justiça condena "Mouras"


   
 
A Justiça Eleitoral de Paulínia condenou o ex-prefeito Edson Moura a quatro anos de reclusão e pagamento de multa pelo crime de compra de votos, cometido em setembro de 2012. Na época, Moura disputava seu terceiro mandato à frente do Executivo.
A decisão, do juiz Carlos Eduardo Mendes, da 323ª Zona Eleitoral de Paulínia, foi publicada na terça-feira. No mesmo processo também foi condenado à mesma pena o filho dele, Edson Moura Filho.
Foi definido que a reclusão será em regime semiaberto, mas os condenados podem recorrer em liberdade, até o trânsito em julgado da ação.
A denúncia foi movida pelo Ministério Público Federal. Na ocasião, Moura foi acusado de entregar quantias em dinheiro para os seus supostos eleitores logo após uma reunião marcada para a divulgação de seu plano de governo, no bairro Bom Retiro. O evento foi articulado por Simeia Zanon e Fábio Brito, antigos correligionários do prefeito, também citados na ação.
A principal peça da acusação, que embasou a decisão final do juiz, foi um vídeo que circulou pelas redes socais. Moura e o filho, no caso, aparecem em um dos quartos onde acontecia o evento da campanha. Um a um, eleitores se aproximavam e recebiam o dinheiro. Entre os eleitores estavam a estudante Larissa Macedo e uma mulher identificada como Morgana, esposa de um conhecido pastor da cidade. Elas receberam entre R$ 500,00 e R$ 850,00.
Na decisão, o magistrado julgou procedente a pretensão punitiva pela condenação, com incurso no artigo 299 do Código Eleitoral. “A intenção de compra de votos é evidente, levando em consideração o contexto dos fatos, ou seja, uma reunião para tratar de assuntos eleitorais, em que o réu, então candidato, conversou reservadamente com vários eleitores, após realizar discurso eleitoral, dando dinheiro para eles, tudo com ajuda do seu filho Edson Moura Júnior”, considerou o juiz.
Outro lado
O ex-prefeito Edson Moura, durante depoimento à Justiça, negou os fatos narrados na denúncia, alegando que nunca comprou votos de eleitores.
Disse que o que realmente aconteceu foi que uma pessoa que trabalhava na campanha eleitoral recebeu valor menor do que tinha de receber, e ele então estava pagando “a diferença”.
Com relação a Larissa, Moura explicou que ela precisava de R$ 500,00 para pagar a faculdade. Ele optou por ajudar porque, segundo ele, existia uma “relação sentimental” entre os dois. Sobre Morgana, a outra mulher citada, Moura disse não se recordar se ela era voluntária da campanha.
A reportagem não conseguiu, até o fechamento desta edição, contato com a assessoria do ex-prefeito para o detalhamento da estratégia da defesa.